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7 de janeiro de 2018

Não se preocupe, você amará novamente



Eu conheço uma garota que, antigamente, as pessoas olhavam pra ela e já sentiam o brilho inocente e o desejo fulminante por algo real, que provasse a ela que ainda havia tempo, que não era inútil ter esperanças.

Ela sorria com o corpo inteiro e abraçava com os olhos, independente de quantos dos seus pedaços foram subtraídos.

Ela havia chegado ao ponto em que sabia muito pouco sobre o amor, e havia perdido suas lembranças, idealizações e esperanças sobre ele. 

Se sentia como se seu coração tivesse sido esmagado por uma pedra enorme, e atrofiado nos ossos das costas, depois de tanto que viu, ouviu, soube, descobriu e sentiu. 

Porque o mundo é injusto e cruel, e se não formos fortes o suficiente não estaremos mais vivos antes mesmo de morrer. 

Eu só gostaria que ela soubesse que não precisa se preocupar tanto, nem se machucar mais, porque ela ainda amará novamente. 

30 de novembro de 2017

Devaneios #1




Nós estávamos dançando sob as luzes fracas da noite, era uma dessas músicas que tocam no rádio depois das dez da noite para os corações apaixonados.  E embora fosse nosso primeiro contato, era exatamente assim como me sentia: meio apaixonada.

Enquanto você me beijava, eu te sentia e desejava ansiosamente poder te ter sempre, desejava que você fizesse ninho na minha clavícula e nunca fosse embora.  Primeiro porque eu não gosto de despedidas, segundo porque você me fez querer mais, e terceiro porque você me deixou com uma centelha de paixão.

Eu quero que você fique mais um pouco, e que me queira porque estou faminta por você. 
E que, por favor, não me prometa nada. Vamos, simplesmente, ver até onde podemos ir e como chegar lá, porque mesmo não querendo promessas, o teu toque e o teu beijo me fazem sentir que há um pouco mais do que horas entre corpos e linho branco.

Tente não se assustar comigo falando tão abertamente sobre como estou me sentindo, é que eu sou assim, oito ou oitenta. Tudo ou nada.
Eu tenho vontade de te levar pra algum lugar de frente pro mar, sob as luzes das estrelas e calarmos os gritos do mundo com a colisão dos nossos lábios.
E, será que se eu te beijar, novamente, você vai sentir como quero que me ame, pra sempre, por hoje, até amanhã ou até quando eu fechar os olhos e deitar a cabeça no teu peito?

Então, se eu tomar coragem, você pega minha mão e vem comigo? A gente pode ir dançar, em alguma praia, ouvir alguma música boa com alguma mensagem. Eu adoraria poder falar sobre seu olhar enquanto olhava a fogueira, e em seguida para mim, como se estivesse identificando qual era mais quente - o calor da fogueira ou o do meu corpo - e que, com certeza, você sorriria pra mim, mostrando aonde quer se queimar. 

Você não vai chegar um pouco mais perto?

2 de novembro de 2017

Só por hoje, até o fim desse texto



Ontem, naquela festa, vários caras me olharam e disseram “que mulher bonita”, vários deles chegaram em mim com aquele papinho tosco, um cara assobiou, um amigo pegou na minha mão e me fez girar na ponta dos pés. Foram vários, mas nenhum deles tinha seu cheiro, seu toque, seu nome... nenhum deles era você. Eu até tentei, não foi mesmo? Aposto que você nem percebeu as ligações no seu celular quando chegou bêbado em casa.

Um daqueles caras sentou e conversou comigo, me fez rir um pouco, me elogiou e depois disse que não é bonito ver uma mulher fumando, mal sabe ele - e todos que também pensam assim - o quão isso não importa. As estrelas me olhavam, eu suspirava fundo, tentando esquecer que eu havia tentado mais um vez. No fim da noite, eu estava partida em mil pedacinhos. Ah, não, para, nem eram tantos pedacinhos assim, eu estava... amm, baqueada, tentando conter as lágrimas a cada tragada do cigarro.

Um amigo sentou do meu lado, me ouviu e se ofereceu pra me acompanhar até em casa, e você nem sabe disso, nem de tantas outras coisas, e vai continuar assim por um bom tempo – se não pra sempre. Porque eu sinto sua falta e ainda te amo, mas é até eu conseguir força suficiente para deixar essa frase inacabada para trás porque, na escola, eu aprendi que uma oração só é oração se for coesa e tiver um ponto final (ou continuativo), e na vida real eu aprendi que um amor só é amor quando você o oferece para alguém, e principalmente quando é recíproco.

E é por isso que eu te amo, mas é só até esse cigarro acabar e o vídeo Ride da Lana Del Rey chegar ao fim, é só até meu corpo esquecer da sensação do teu toque, e, droga, faz muito tempo que não sinto seus braços ao redor da minha cintura. É só até eu esquecer daquele abraço que eu te pedi, e embora a distância tenha impedido o tato, senti como se você estivesse me abraçando bem forte, naquele colchão de solteiro, e você me deixava aninhar minha dor a tua compreensão.


É até eu esquecer dos anos que se passaram e das noites que eu imaginei que iria morrer de tanta saudade que sentia, mas, olha só, tô vivinha. É até eu apagar nossas lembranças e excluir nossas conversas anexadas no email. Até eu esquecer teus olhos castanhos e como você encarava o telhado do teu quarto como se lesse algum livro genuíno. É até eu esquecer do gosto dos teus lábios e essa vontade de ligar pra você passar.

É até eu me recompor e ir me abrigar por aí, em braços que não são os seus, em mãos que não tem o teu toque, em um coração que me esquente, e em um amor que valha o poema, porque o que eu sentia por você acabou junto com esse texto.