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24 de agosto de 2018

Dream


Talvez eu tenha bebido mais do que deveria mas há uma parte de mim que crê nisso como uma coisa boa porque, se por acaso, eu bater na tua porta usando minha melhor lingerie, e beijar sua boca e me afogar nos teus olhos azuis e me arrepender depois, eu poderia pôr a culpa no álcool.

Por que eu me arrependeria?
E se eu fizesse, será que você me corresponderia?

Eu deveria escrever mais vezes quando estiver altinha, porque meus sentidos de sonhadora estão mais aguçados e me fazem imaginar coisas boas que deliciam meu coração, por exemplo, se eu arrancasse sua calça e beijasse seu pescoço docemente?

Você sentiria meu hálito quente misturado ao gosto da cerveja e o gosto doce do meu batom vermelho?

Qual seria a sensação de você tirando minha blusa, enquanto beija meus ombros e sente meu perfume, como se estivesse encantado, e quando olhasse pra mim, você pensasse nos olhos  oblíquos e dissimulados de Capitu?

Ah, dane-se, você nem conhece a história da Capitu.


E se eu dançasse pra você? Você pode escolher a música que estaria tocando. Consegue imaginar como seria me ver aqui, única e exclusiva pra você? Mesmo que fosse somente por uma noite. 

Ainda seria eu.
Pra você.
E com você.
 E, se eu beijasse sua boca e dissesse que te queria até o fim do dia? Você ficaria comigo, mesmo que fosse só por hoje?
Porque eu sim.
Eu quero.
Muito.
Você.

Agora, vai, acorda. 
Não temos o hoje,
Você não me tem agora.
Tão pouco te tenho pra sempre.
Mesmo querendo muito. 

14 de agosto de 2018

Da série: amiga, obrigada (#4)

By Reproduction.


Enquanto revezávamos as goladas entre a garrafa de vinho e alguma lata de cerveja, tragávamos a bendita da saudade e ouvíamos a discografia de Legião.
Ficamos sentindo o vento balançar nossos cabelos e os pelinhos do corpo se arrepiando de cinco em cinco minutos, mas nos recusamos a ir embora.
- Pronta agora? – Perguntei, encorajando-a.
- Estou. Eu acho. Sabe o que é mais engraçado? Na última vez que conversei com ele, disse que recorreria a você, porque a insônia havia me pegado de jeito.
- Pois é, eu sou chata o suficiente pra te dar sono.
- Não é isso, ô! É que você me faz bem, sabe. Eu sei que tudo vai dar certo porque você me transmite paz...
- Acho que você já pode parar de beber, a fofice tá passando do limite.
Ela riu, dando um soco leve no meu ombro esquerdo.
- O que acontece agora é que eu preciso e quero tocar minha vida, porque o mundo continua girando. Com ou sem ele. Já aprendi isso, só preciso fazer o meu mundo girar. Só que eu sinto tanta falta dele... – Ela expirou fundo, limpando o ar dos pulmões. – É como um usuário de drogas precisando manter o vício, embora isso não pareça saudável.
- E você acha que isso aqui é? – Dou uma baforada do cigarro no rosto dela, rindo, já meio altinha, e a faço a olhar as latas de cerveja e os vidros de vinho enterrados na areia.
- Detalhe, acontece. – Ela diz, sorrindo.
- Pois é, moça. Acontece. Não vale ficar se privando, você tem que se entregar ao que sente, independente de que... Peraí, por que eu tô falando isso pra você? Logo pra tu, a rainha do drama e profundidade...
Ela jogou o cabelo e deu um sorriso, mas eu sei que essa pinta de inquebrável pinta o corpo todo, mas não chega a deixar uma manchinha sequer na alma.
- Eu não se lidar com isso, ao mesmo tempo em que quero o corpo dele perto do meu, tenho medo de como isso tudo acabar. Quer dizer, tenho medo de acabar.
- Torço muito pra vocês se entenderem ou acabarem de vez com a coisa toda. Quantas voltas você já deu, mas acabou percebendo que supre o mesmo sentimento por ele, senão maior?
- E eu não sei? Parece karma...
- Parece que vocês tem um laço, como aquela lenda chinesa que diz que as pessoas nascem com um fiozinho preso no dedo mindinho, ligando um ao outro. O fio pode se esticar, mas nunca quebra, não importa aonde vão, vocês sabem onde pertencem.
- Eu só quero acabar com isso, e ao mesmo tempo não quero.
- Você precisa conversar com ele. Resolver isso de vez. Estou cansada de te ver assim.
- Eu sei, eu tô tão confusa, eu vou resolver, te prometo, é que eu quero tanto que...
Pare de doer. Completei mentalmente, enquanto ela vomitou todo o álcool que consumimos o dia todo. Me levantei,  segurando seu cabelo pra trás, e ela se ajoelhou na areia. Minutos depois, ela me olhou rindo, enquanto eu limpava o rosto dela com minha camisa favorita.
- Acho que preciso de um banho.
- Ainda não, você precisa de água de coco.
Então, ela me abraçou forte e disse, com a voz embargada:
- Vai ficar tudo bem.
- Vai, agora eu sei que vai.

1 de agosto de 2018

Da série: Amiga, obrigada #6


reproduction

Você pode ler Ouvindo Black Coast - TRNDSTTR


- Às vezes eu não sei o que quero, tenho vontade de mandar ele para p*** que pariu, mas ir junto sabe?! Não sei para que ele fica fazendo joguinho comigo, e depois fica falando de mim para outras pessoas igual um retardado.
- Você parece envolvida demais, e ele tá só sendo um babaca.
- Meu ego tá ferido. Você sabe que eu sempre consigo o que eu quero, e o fato de não conseguir ficar com ele está me consumindo.
- Nossa, amiga, bebe aqui. - Ela fala, rindo, passando a caipirinha para mim.
- Você passa mais um pouco de protetor nas minhas costas?
- Claro, senta aqui.
Me sento na sua frente, e afundo os pés na areia, sentindo a brisa do mar e vento balançando meu cabelo.
Fazia uns meses que eu não vi a Rafa, e o peito já estava apertado de saudade, ela é como esse sol para mim, ilumina e alegra independente de qualquer coisa.
- Eu estou tão feliz com você aqui. - Ela diz, massageando meus ombros.
- Eu também estou. Sinto muito sua falta, principalmente das nossas festas e da nossa insolação de tanta praia que a gente pegava.
- Pula a parte da insolação, tenho amor a minha pele. - Ela rebate, rindo. - Mas então, o que está acontecendo realmente com você? O que esse babaca te fez?
- Não fez nada, e esse é o problema.
- Ai, esse cara é o que? O pica das galáxias?
Olho para ela, me acabando de rir.
- Sério, pelo que você me falou, acho que ele é só mais um desses moleques que ficam fazendo jogo para as menininhas ficarem correndo atrás.
- É isso ai.
- Por acaso, você esqueceu que você não é nenhuma boba?
- Não esqueci não, é que aparentemente ele despertou a menina de treze anos que eu fui.
- Você tá doida é? Não tô nem acreditando que ouvi isso de você.
Fiquei calada, escutando-a.
- Você esqueceu o tanto que sofreu, quanto se machucou e o tanto que aprendeu para se tornar a pessoa que você é?
- Eu tenho a cabeça feita em relação a isso, só que eu nunca soube controlar meus sentimentos, sempre despojei tudo que estava sentindo para as pessoas e você sabe bem disso.
- Sei mesmo, por isso estou preocupada. Seus sentimentos são puros demais para alguém desvalorizar, e você é boa demais para uma pessoa morna desse jeito. Pra mim, você é como uma rosa que brotou no concreto, porque você sofreu tudo que sofreu e continua linda, plena e verdadeira.
- Ih, Rafa, já tá bom. Bebe você agora. - Devolvo o copo, rindo.
- Eu tô falando sério.
Dou uma risada tímida.
- Tudo bem, vamos pra casa que hoje a noite quero ver você me mostrar que flores também podem ser selvagens.

(...)