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16 de julho de 2018

@flor


Você pode ler ouvindo Maron 5 - Girls Like You


Esses dias enquanto assistia um capítulo da novela das nove em que mostra o encanto e carinho de duas pessoas se conhecendo, se descobrindo, aprendendo a  amar, uma amiga comentou sobre como eu fiquei boba e pensativa, e traduziu exatamente o que meu coração calejado dizia: eu queria alguém assim, ser tratada desse jeito, mas eu queria que fosse ele.

Eu posso receber o amor do mundo inteiro, ter nove homens ideais na minha frente para escolher, mas eu só quero ele.

Acho que por isso eu tenho transferido o que sinto de um rapaz para o outro, na tentativa de suprir o que ele não me dá, como se eu possuísse e exorcisasse meus sentimentos dos diferentes caras aos quais beijei, encantei ou transei.

É como se eu soubesse do que ele é capaz, mas ele insiste em não fazer, é como se eu sonhasse e projetasse os meus sentimentos que são sempre mil vezes maior que meu corpo e coração, que nunca cabem em mim, e os transferisse de boca em boca, na tentativa de encontrar alguém que enxergue o tamanho de quem eu sou, enquanto ele não percebe a imensidão que tem aqui pra ele. 

E mesmo que seja bom, tenha uma boca gostosa, um sorriso que me coma inteira, olhos verdes, castanhos, ou azuis, mesmo que me toque como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, ou me deseje como a delícia que poucos esquecem, não adianta nada, porque não é ele. 

Não sei se posso chamar isso de amor, nem se posso dizer que o amo, porque eu estou sempre buscando em outros o que ele não me dá.

E, se eu o amasse realmente, o que ele tem não deveria ser o bastante para mim?

E, se ele fosse realmente o amor da minha vida, ele não deveria preencher as lacunas que ele insiste em deixar vazias?

Por fim, por que eu o quero tanto, se tenho todos os outros? Mas, do que adianta eu ter todos se eu só quero um?

E pior ainda: se eu projetar todos meus sentimentos em alguém que também seja imensidão, será que eu vou ficar satisfeita ou ainda assim, vou continuar sonhando e projetando o amor que parece ser todinho dele?

15 de julho de 2018

Discurso sobre o nosso amor

Via Tumblr
Você pode ler ouvindo Ariana Grande - Moonlight

- Nos conhecemos numas aulinhas de música com o professor Levi, há mais ou menos oito anos atrás, e quando eu conheci aquela garota insuportável, que nunca olhava pra ninguém, e falava cheia de comedimento nos lábios, fiquei surpreso porque assim, de cara, eu gostei da peça: ela era puro mistério, era cara de “esconde-esconde”, e eu queria descobrir porquê. Sabe que era até bonitinho como ela olhava de canto pra mim? Depois de umas duas semanas, eu consegui tirar umas palavrinhas bonitas da boca dela, ela disse “eu te odeio, menino” e eu me acabei de rir. Mais ou menos um ano depois, ela me beijou. - Eu estava sentada numa das mesas do salão, observando sua versão da nossa história. – Acho que foi o primeiro beijo dela, porque eu fiquei todo babado – ele me olhou rindo uma daquelas gargalhadas mudas, e eu estava boquiaberta. – Brincadeiras à parte, a forma como ela não sabia o que estava fazendo foi fofa. Juro nunca ter beijado uma garota tão delicada como ela. E hoje mais cedo, antes de vir pra cá com minha bela esposa – ele deu um risinho, me olhando – observei-a sentada, na cama, de olhos vendados, mordendo o lábio de ansiedade, e pensei “onde eu estava com a cabeça que não casei com ela antes?” À ela. – Ele concluiu, levantando a taça no ar, e todos os demais fizeram o mesmo.

Ele veio até mim, deu-me um beijo na testa e me guiou até a mini escada, entregando-me o microfone:
- Faça as honras.
- Primeiramente: eu não babei, seu maluco! – Todo mundo caiu na risada. – Bom, eu lembro de como Fábio sempre que podia passava lá na frente de casa tarde da noite, mas uma, em especial, porque ele estava me chamando do lado de fora, e eu no quarto pensando numa forma de ir falar com aquele menino insuportável, e vó virou pra mim e disse: nossa, quanto amor! Eu fiquei de cara emburrada pra ela, até que eu fui falar com ele, e voltei vendo estrelas porque o mocinho fez o favor de me roubar um beijo. Eu nunca falei disso antes, mas eu quis que ele tivesse roubado dois. Toda vez que ele vinha me ver era como tirar um pouco da essência do que está guardado, como a gama de sentimentos que ele põe na música quando canta, ou a melodia da flauta saindo de seus lábios...

Desde que comecei a falar o discurso (que eu não havia preparado), estou evitando olhar pra Fábilo, porque a mera menção de vê-lo olhando pra mim, enquanto falo dos meus sentimentos, assim, em público, me deixa desnorteada.

– É como quando vamos fazer o café: pra ter gosto precisamos usar a essência, usar o pó, que já foi tratado e cultivado antes de chegar ao nosso domínio, determinamos se o queremos forte ou fraco, mas sempre tem gosto. E o gostinho vai ficar na boca até você se acostumar e precisar daquilo todo dia assim que acordar, um menorzinho: uma boa dose de sentimentos. Talvez cê tente largar o vício, mas um dia volta, sempre foi assim, não vai ser diferente. Eu sou parte desse vício que é a ausência de saudades entre nós dois, e eu sou sua, sr. Soren. E espero continuar sendo quando minhas mãos não apertarem as suas com a mesma força de agora, quando meu cabelo não for tão negro quanto agora, quando meus lábios, olhos e sorrisos não forem mais tão bonitos quanto hoje. Eu sou sua, simples assim. E vou continuar te amando com todas as brigas que hão de vir, com cada pedacinho de mim, porque eu mereço cara, você sabe, e eu te amo muito.

Todas as pessoas aplaudiram, e eu procurei por Fábio onde ele estava sentado, mas ele não estava lá, me senti meio desapontada. Pra onde ele teria ido?


Então eu senti duas mãos se enroscarem na minha cintura, me virei e ele me beijou.

Obs.: Texto retirado do livro (shhhh... Segredinho!) que será lançado em breve :)

9 de julho de 2018

@gabi





Você pode ler ouvindo Lagum - Deixa


metade de mim te ama, e a outra metade só te quer,
metade de mim te quer na cama, e a outra não sabe se te quer

por ora, eu não te quero mais, porque você não é mais o que eu queria ontem
e quero agora
porque você foi fraco, covarde e insensível
isso que dá querer amar alguém imprevisível

uma parte de mim quer te falar sobre como meu coração ficou apertado nos últimos dias
e a outra parte de mim quer que você se foda, porque você foi um covarde, fraco e insensível
uma pena você ter medo de mulher impossível

eu te queria sim, você havia se tornado a minha conquista particular
e o que era só desejo, se tornou pessoal para eu aceitar que você me postergasse

ansiosa, altinha, apaixonada,
louca,
louquinha
por você

uma pena que de chamas você se transformou em apenas um cara fraco, covarde, insensível
e um pouco mais previsível



(Essa é a poesia sobre a Gabi, que tal dividir sua história comigo?